Por: Alien in White
@alieninwhite
Saiu a lista de indicados para o prêmio Golden Globe 2009 e, oh, surpresa das surpresas, “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, a seqüência de “Batman Begins” de 2005, não encontra-se entre os indicados a melhor filme, embora Heath Ledger tenha sido indicado como melhor ator por sua interpretação de… (?) Ora, assistam o filme!
Trivial! Estão mesmo jogando muito confete sobre um filme que é apenas bom, chegando ao cúmulo de compararem-no com “O Poderoso Chefão” ou de considerá-lo melhor que “Guerra Nas Estrelas” (1977) e “Os Caçadores da Arca Perdida”, como se o diretor, Christopher Nolan, fosse D.W. Griffith, Victor Fleming ou Hitchcock!
Sobre o filme: o elenco de Batman Begins quase todo volta, com exceção da Sra. Tom Cruz-credo, substituída por Maggie Gyllenhaal, irmã de Jake, no papel da assistente da promotoria Rachel Dawes. Eric Roberts (o irmãozão de Julia) como “chefão” Maroni (não era “Moroni”?) não se destaca ( a não ser por lembrar ao mundo que ainda está vivo). Gary Oldman continua muito bem como Gordon; um “jovem” ator britânico a quem o manto do saudoso conterrâneo Neil Hamilton caiu-lhe bem! O sempre excelente Morgan Freeman retorna como Lucius Fox, que junto com o fenomenal Micahel Caine como Alfred Pennyworth, atua como a consciência de Bruce Wayne/Batman, espécie de “Grilos Falantes” pós-modernos. Outros coadjuvantes com pouco a fazer: Nestor Carbonell como o Prefeito e o excelente Anthony Michael Hall (“Mulher Nota Mil”, “The dead Zone: The Series”) como o jornalista de TV. Há pastiches de Montoya e Bullock com os nomes trocados, por razões que vocês descobrirão ao assistir. Melinda McGraw, a Melissa Scully de “Arquivo-X”, interpreta a Sra. Gordon.
O filme incorre no mesmo erro (deliberado?) do filme de Tim Burton, estrelado por Jack Nicholson em 1989 e seguintes: é um filme do vilão, não do herói, e como se não bastasse um tem dois vilões principais e vários vilões coadjuvantes. Em Batman Begins, muito tempo do filme foi dedicado a mostrar a origem do Batman; neste, os vilões dominam. Gotham parece apenas mais outra violenta cidade americana, sem sequer marcos históricos ou obras arquitetônicas que a destaquem das outras, como a Chicago de Dick Tracy. E é implicância minha ou o morcegão tem brinquedinhos em demasiado neste filme? Até é içado por um avião como James Bond em “007 Contra a Chantagem Atômica” (“Thunderball”, 1965)! Ressuscitaram o Major Boothroyd (quem dera…)? Mas os efeitos são do veterano dos filmes de Bond, Chris Corbould.
O filme também foca muito no conflito de personalidade dividida Bruce Wayne/Batman, tema já abordado em Batman Eternamente (1995), lembrando sempre que, como foi descrito brilhantemente por Clark Kent nas HQs: “Clark Kent é a pessoa real e Superman, o disfarce; com Bruce Wayne e o Batman ocorre o contrário.” Isto tira ainda mais tempo do herói na tela, para deleite dos vilões.
Houve quem criticasse o excesso de cenas da SWAT neste filme, comparando-o ao brasileiro “Tropa de Elite”, mas as cenas justificam-se e não há tantos confrontos entre policiais neste como em “Batman Begins”, os quais foram inspirados na minissérie da DC Comics “Batman: Ano 2″.
O que me lembra: se alguém aí espera ver neste filme algo remotamente parecido com a clássica minissérie (homônima em português) da DC Comics de autoria de Frank Miller (“Batman: The Dark Knight Returns”), podem ir tirando o pequeno pônei da chuva! Como nos filmes de James Bond, a literatura inspira o título, mas não o conteúdo do filme. Quem quiser algo parecido com a minissérie, que reveja o episódio animado de uma década atrás “Holiday Knights”.
A aparência do Duas-Caras não parece plausível, talvez inspirada demais nos quadrinhos e animação. Ou por ser CGI! Nada como as velhas tecnologias…
A produção da Warner Bros. é boa (quando não foi?). Os “irmãos Warner” continuam sendo verdadeiros Jurassic Theme Park Tycoons: “Não poupam despesas!”
Quanto às nomeações e premiações vindouras, não desesperem-se (ainda!) Bat-maníacos: ainda tem o Oscar!
O lançamento nesta sexta, 12 de dezembro, em DVD no Brasil, é uma boa oportunida para rever-se também os filmes de Batman anteriores da Warner, dirigidos por Tim Burton e Joel Schumacher, e estrelados por Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney, e fazer a comparação.
Mas após assistir tudo o que foi feito de Batman desde Adam West (cujas HQs favoritas são as mesmas que as minhas, as de Neil Adams) em 1966, continuo achando que a melhor adaptação do morcegão para as telas ainda é a nimação de 1993, “Batman: A Máscara do Fantasma”.
E lembrem-se sempre:
Comprem o DVD!
Aluguem!
… não emprestem, não copiem, não baixem!! []